Como saber meu nível de inglês de verdade: a grade do QECR do que você consegue fazer falando

Como saber meu nível de inglês de graça: a grade oficial do QECR, do A1 ao C2, e um teste gravado para medir a sua fala, e não só a leitura.

Estudante grava a própria fala em casa, um jeito prático de descobrir como saber meu nível de inglês

Um teste online gratuito estima o que você reconhece lendo e ouvindo, mas não ouve você falar. Se a sua dúvida é como saber meu nível de inglês numa conversa de verdade, use a grade de autoavaliação oficial do QECR, que descreve cada nível do A1 ao C2 em frases do tipo "eu consigo", e teste-se em voz alta, gravando e comparando com os descritores (Conselho da Europa). O resultado serve para você se situar e escolher o que treinar. Certificado ele não é.

Domingo à noite, você faz um teste de nível online, acerta as lacunas de gramática, ouve dois áudios e a tela devolve: B2. Na segunda, entra a primeira ligação com um cliente de fora e, depois do "hi, how are you?", as frases demoram a sair. O teste mediu uma coisa e a ligação cobrou outra. Este guia entrega a régua oficial e gratuita para medir a parte que o teste não ouve.

Como saber meu nível de inglês: o que um teste online mede e o que não mede

Quase todo teste de nível de inglês gratuito funciona do mesmo jeito: perguntas na tela, alternativas, lacunas, um áudio curto. É um bom formato para medir reconhecimento: você vê a resposta certa entre três opções e a identifica.

Até os testes de nivelamento sérios trabalham assim. O Cambridge English Placement Test é um teste online de leitura e compreensão oral, com questões na tela, de múltipla escolha e de lacunas (Cambridge English). Segundo a central de ajuda da Cambridge, ele leva cerca de 30 minutos, é corrigido automaticamente e foi desenhado para medir com mais robustez do A1 ao B2 (Cambridge English). Mesmo um teste bem construído deixa a fala de fora por desenho. Ele aparece aqui como exemplo de formato, não como recomendação.

O próprio QECR trata compreender e falar como coisas diferentes. Na grade oficial, ouvir no B2 significa entender palestras, acompanhar argumentos complexos sobre temas familiares e entender a maioria dos filmes (Europass). Essa linha não diz nada sobre conseguir responder. A fala tem as suas próprias linhas.

E é normal que elas não batam. O Companion volume do QECR, de 2020, lembra que a proficiência de qualquer aprendiz quase sempre é desigual, e não é raro um adulto ler muito melhor do que fala (Conselho da Europa, 2020). O B2 do domingo pode valer para a compreensão enquanto a conversa está num B1. A diferença está no que cada um mede.

A grade oficial do QECR, na versão "eu consigo"

Quem procura um teste de nível de inglês de A1 a C2 quase nunca encontra a Tabela 2 do QECR, a grade de autoavaliação. O Conselho da Europa a descreve como uma ferramenta de orientação para o aprendiz traçar o perfil das suas principais competências e decidir em que nível procurar descritores mais detalhados (Conselho da Europa). Ela separa ouvir, ler, interação oral, produção oral e escrita, e a Europass, da Comissão Europeia, publica o texto em português, sem cadastro (Europass).

Para a fala, importam duas linhas: a interação oral (conversar com alguém) e a produção oral (falar sozinho por um tempo, descrever, argumentar). A tradução oficial em português segue a norma de Portugal; a tabela abaixo é uma paráfrase fiel em português do Brasil (Europass):

NívelConversando (interação oral)Falando sozinho (produção oral)
A1Converso de forma simples se a outra pessoa repetir mais devagar e me ajudar a dizer o que quero; faço e respondo perguntas simples sobre temas bem conhecidos.Uso expressões e frases simples para descrever onde moro e as pessoas que conheço.
A2Dou conta de tarefas simples e rotineiras que pedem uma troca direta de informação; participo de conversas muito curtas, mas em geral não entendo o bastante para manter a conversa.Uso uma série de frases simples para falar da família, de outras pessoas, de como vivo, dos estudos e do trabalho atual ou mais recente.
B1Resolvo a maioria das situações de uma viagem; entro sem preparação numa conversa sobre família, hobbies, trabalho, viagens ou notícias.Encadeio frases para contar experiências, sonhos e planos, justifico brevemente uma opinião e conto a história de um livro ou filme.
B2Converso com fluência e espontaneidade suficientes para uma interação regular; participo ativamente de uma discussão e defendo o meu ponto de vista.Faço descrições claras e detalhadas sobre muitos assuntos da minha área e explico um ponto de vista com as vantagens e desvantagens de cada opção.
C1Me expresso com fluência e espontaneidade, sem procurar muito as palavras; uso a língua com flexibilidade no social e no trabalho e ligo a minha fala à dos outros.Apresento descrições claras e detalhadas de temas complexos, desenvolvo os pontos e fecho com uma conclusão adequada.
C2Participo sem esforço de qualquer conversa, com expressões idiomáticas, e transmito nuances finas; se travo, reformulo sem que os outros percebam.Faço uma exposição ou argumentação clara e fluida, no estilo certo para o contexto, que ajuda quem ouve a lembrar os pontos importantes.

Uma ressalva sobre o B2. O texto de 2001 fala em interação regular "com falantes nativos". A edição de 2020 propôs mudar os descritores com esse termo, que se tornou controverso (Conselho da Europa, 2020). Pelo mesmo motivo, o C2 não é "nível de nativo": o quadro afirma que o nível mais alto não tem relação nenhuma com o desempenho de um falante nativo idealizado.

Como usar a grade

Leia a coluna da conversa de cima para baixo e pare na última linha em que você responde "sim, sem ajuda". Faça o mesmo, separadamente, na coluna de falar sozinho: você pode ter um nível em cada uma. A grade não tem pontuação nem regra oficial de soma. Se ficar em dúvida entre duas linhas, a nossa sugestão é ficar com a de baixo e tratar a de cima como meta.

Se você precisa declarar um nível num formulário de intercâmbio ou numa candidatura, a grade ajuda a escolher com honestidade. Confira antes se a instituição aceita uma autodeclaração ou exige certificado.

O teste de 20 minutos: grave-se e ouça como um avaliador

Marcar a grade de memória tem um problema: você lembra da sua melhor conversa, não da média. Por isso, aqui a lembrança vira gravação. Os 20 minutos são a duração que sugerimos para o exercício, não um dado de fonte.

Escolha a cena: reunião, ligação ou entrevista

O Companion volume do QECR tem escalas próprias para essas três situações (Conselho da Europa, 2020):

  • Reunião: no A2 você diz o que pensa se alguém perguntar diretamente; no B1 expõe um ponto de vista com clareza, mas tem dificuldade de entrar no debate; no B2 acompanha uma discussão animada; no C1 discorda com diplomacia.
  • Ligação ou chamada de vídeo: no A2, uma conversa curta com alguém conhecido sobre um tema previsível; no B1, usos do dia a dia, pedindo esclarecimento de vez em quando; no B2, vários usos profissionais, se puder pedir esclarecimento diante de um sotaque ou termo desconhecido; no C1, a maioria dos usos profissionais.
  • Entrevista, incluindo a de emprego: no B1 você toma alguma iniciativa, mas depende muito do entrevistador; no B2 toma a iniciativa e desenvolve as ideias com pouca ajuda; no C1 participa plenamente, sem apoio.

Fale 2 minutos sem roteiro e grave

Abra o gravador do celular. Escolha uma tarefa tirada da produção oral da grade, no nível que você marcou: no B1, contar uma experiência e dar brevemente as razões de uma opinião ou de um plano; no B2, explicar um ponto de vista sobre um tema atual com as vantagens e desvantagens de cada opção (Europass).

Um exemplo de tarefa B2 para a cena de reunião: "Defenda se a sua equipe deve trocar a reunião semanal por um relatório escrito." Fale sem roteiro e sem pausar. Os 2 minutos também são sugestão nossa: tempo bastante para o texto decorado acabar e o improviso aparecer.

Ouça com os critérios da Tabela 3

A Tabela 3 do QECR foi feita para avaliar a fala e olha cinco aspectos: amplitude, correção, fluência, interação e coerência (Conselho da Europa). Ouça a gravação inteira e depois de novo, com estas perguntas tiradas das descrições oficiais da mesma tabela:

  • Os enunciados são muito curtos, com pausas, falsos começos e reformulações bem visíveis? Fluência de A2.
  • Você segue falando e se faz entender, mas as pausas para planejar a frase e para se corrigir ficam evidentes, sobretudo nos trechos mais longos? Isso descreve o B1.
  • O ritmo é bastante regular, você hesita procurando a estrutura, mas há poucas pausas longas, e os seus erros não causam mal-entendido? Isso é B2.
  • Você fala com fluência e espontaneidade, quase sem esforço, e só um tema conceitualmente difícil quebra o fluxo? Isso é C1.

Checklist do resultado

Volte à grade e marque, para cada linha da fala, uma de três respostas:

  1. faço isso sem ajuda;
  2. faço com ajuda ou com muita hesitação;
  3. ainda não faço.

Um exemplo hipotético. Ana marcou B2 na compreensão oral num teste online. Na gravação da reunião, expôs a opinião com clareza, mas travou ao imaginar alguém discordando. No checklist, a linha B1 de interação ficou "sem ajuda" e a B2, "com hesitação": B2 ouvindo, B1 conversando. Isso não quer dizer que Ana "tem B1". Quer dizer que a compreensão está à frente da fala, e que o próximo treino é a conversa.

Quanto confiar na sua autoavaliação

Uma meta-análise publicada na revista Language Testing reuniu 67 estudos, com mais de 68.500 participantes, e encontrou uma correlação geral de 0,466 entre a autoavaliação e o desempenho medido (Li e Zhang, 2020). É uma relação moderada: a autoavaliação aponta na direção certa, mas não acerta o ponto exato.

O estudo identificou fatores que mudam esse resultado, entre eles a presença e o tipo de critérios, o instrumento e o treino de quem se avalia. O resumo não diz quanto cada fator ajuda, então não prometemos precisão. Por isso o método acima se apoia num critério escrito, a grade oficial, e numa prova gravada no lugar da memória.

A autoavaliação serve para você se situar e escolher o que praticar. Ela não prova o seu nível para ninguém.

Se você precisa provar o nível para uma vaga, uma universidade ou um visto, o caminho é um exame certificante, com regras de nota próprias. Como declarar o nível no currículo é tema de outro guia.

Depois de saber o nível: treine a linha que ficou para trás

O nível da fala sobe falando; mais testes de múltipla escolha melhoram a linha que já estava na frente. Pegue a linha da grade logo acima da sua (o guia sobre os níveis de inglês, do A1 ao C2, mostra como cada uma soa na fala) e trate essa linha como meta: a grade foi feita justamente para você decidir em que nível olhar a seguir (Conselho da Europa).

Depois de algumas semanas praticando em voz alta, repita o teste gravado na mesma cena e compare as duas gravações. Se as pausas encurtaram e você entrou no debate sem ensaiar a frase, a linha subiu. Quanto tempo leva do B1 ao B2 é tema de outro artigo desta série.

Para praticar a conversa, você precisa de alguém do outro lado. O AI Teacher da Alyx para aprender idiomas conversa com você e corrige pronúncia, gramática e vocabulário em tempo real, durante a conversa, sem interrompê-la, em seis idiomas e do A1 ao C2.

A cena para ensaiar em voz alta

Uma reunião em inglês, no formato de uma conversa com o AI Teacher. A meta é a linha B2: entrar no debate e sustentar uma opinião com prós e contras.

  • AI Teacher: "We're thinking of replacing the weekly meeting with a written update. What's your view?"
  • Você: "I see the point, but I'd keep a short meeting, because decisions get stuck in long email threads."
  • AI Teacher: "Wouldn't a written update save everyone an hour a week?"
  • Você: "It would save time, true. The downside is that nobody asks questions in writing. Maybe we could try fifteen minutes instead of an hour."

Grave as suas respostas, ouça com as perguntas da Tabela 3 e repita mudando o argumento. Quando discordar sem procurar as palavras, você estará no que o descritor do B2 descreve.

Perguntas frequentes

Como saber meu nível de inglês de graça?

Use a grade de autoavaliação oficial do QECR, gratuita e sem cadastro, que descreve do A1 ao C2 o que você consegue fazer ouvindo, lendo, conversando, falando sozinho e escrevendo; a Europass publica o texto em português. Para a fala, grave-se numa cena real e compare com as linhas de interação e produção oral. Um teste online gratuito ajuda a estimar a compreensão, mas não ouve você falar.

Teste online de nível de inglês é confiável?

Ele é útil para o que mede: leitura, compreensão oral e gramática, com questões na tela. Até o teste de nivelamento da Cambridge English trabalha só com leitura e compreensão oral, corrigido automaticamente. O resultado é uma estimativa da compreensão; a sua fala pode estar num nível diferente.

Qual a diferença entre A1, A2, B1, B2, C1 e C2 na fala?

Na grade oficial, no A1 você conversa de forma simples se o outro repetir devagar e ajudar; no A2 dá conta de trocas curtas e rotineiras; no B1 entra sem preparação numa conversa sobre temas familiares; no B2 participa ativamente de uma discussão e defende o seu ponto de vista; no C1 fala com fluência e espontaneidade, sem procurar muito as palavras; no C2 participa sem esforço de qualquer conversa e transmite nuances finas de sentido.

Posso ter um nível em leitura e outro na fala?

Sim, e é o mais comum. Na grade do QECR, compreender e falar são linhas separadas, e o Conselho da Europa observa que o perfil de quase todo aprendiz é desigual, muitas vezes bem mais forte na leitura. Um B2 na compreensão pode conviver com um B1 na conversa.

Autoavaliação de inglês funciona?

Funciona em parte. Uma meta-análise de 67 estudos publicada na revista Language Testing achou correlação de 0,466 entre autoavaliação e desempenho medido, uma relação moderada. A presença e o tipo de critérios e o treino aparecem entre os fatores que mudam o resultado, por isso vale se avaliar com a grade oficial e com uma gravação, e não de memória.

A autoavaliação vale como certificado?

Não. A grade do QECR é uma ferramenta de orientação, feita para você traçar o perfil das suas competências e decidir o que olhar a seguir. Quando você precisa provar o nível para uma vaga, uma universidade ou um visto, o caminho é um exame certificante, com regras de nota próprias.

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