Níveis de inglês: o que A1, A2, B1, B2, C1 e C2 significam quando você fala

Níveis de inglês do A1 ao C2 explicados pela fala: o que cada nível do QECR consegue fazer numa reunião, numa ligação e numa entrevista.

Engenheiro fala numa reunião por vídeo, o tipo de situação que os níveis de inglês descrevem

Os níveis de inglês que aparecem em vagas, cursos e certificados vêm do QECR, o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas, lançado pelo Conselho da Europa em 2001. Ele tem seis níveis em três faixas: usuário básico (A1, A2), independente (B1, B2) e proficiente (C1, C2), e cada um é definido pelo que a pessoa "consegue fazer" (Conselho da Europa). No A1 você se apresenta se o outro falar devagar e estiver disposto a ajudar; no C1 você se expressa com fluência e espontaneidade, sem procurar muito as palavras (escala global). No meio do caminho, no B1, você começa, mantém e encerra uma conversa simples sobre temas familiares (tabela da fala).

Talvez você conheça a cena. O certificado diz B2, a vaga pedia B2, e mesmo assim, na primeira call com o time de fora, as palavras chegam um segundo atrasadas. O certificado não mentiu. Ele só mediu outra coisa que não a call. Este guia lê cada nível do jeito que o próprio quadro descreve: como coisas que você consegue fazer em voz alta, no trabalho, com alguém esperando a sua resposta.

Uma observação antes de começar. O texto oficial do QECR é publicado em inglês e em francês. As descrições abaixo são traduções fiéis feitas por nós, sempre com o link para a fonte original.

Níveis de inglês: seis níveis, três faixas

No Brasil, muita escola fala em "básico, intermediário e avançado". O QECR (em inglês, CEFR) é mais preciso: organiza a proficiência em seis níveis, do A1 ao C2, reagrupados em três grandes faixas, usuário básico, usuário independente e usuário proficiente. Os níveis podem ser subdivididos conforme a necessidade de cada contexto e são definidos por descritores do tipo "consegue fazer" (Conselho da Europa). O quadro vale para todas as línguas, por isso o mesmo B1 aparece em cursos de inglês, francês ou espanhol.

O quadro não parou em 2001. O Companion volume, publicado em 2020, traz o conjunto completo de descritores ampliados e substitui o de 2001; ele inclui descritores de mediação e de interação online, e todos os descritores passaram a ter linguagem neutra em gênero (Conselho da Europa). A edição de abril de 2020 também define um novo nível Pré-A1 e reforça os níveis "plus", como o B1+ (CEFR Companion volume). Então, se um curso fala em "B1+", ele está usando uma subdivisão prevista pelo próprio quadro.

A versão curta, fiel à escala global oficial (Conselho da Europa, Tabela 1):

NívelFaixaO que você consegue fazer, numa frase
A1Usuário básicoSe apresentar e responder perguntas pessoais simples, se o outro falar devagar e ajudar.
A2Usuário básicoDar conta de trocas simples e rotineiras de informação sobre assuntos familiares.
B1Usuário independenteResolver a maioria das situações de viagem e justificar brevemente opiniões e planos.
B2Usuário independenteAcompanhar discussões técnicas da sua área e defender um ponto de vista com prós e contras.
C1Usuário proficienteFalar com fluência e espontaneidade e usar a língua com flexibilidade no trabalho e nos estudos.
C2Usuário proficienteEntender praticamente tudo e expressar nuances finas, mesmo em situações complexas.

Como soa cada nível na fala

A maioria dos guias para nessa tabela. O quadro vai além. A Tabela 3 dele foi feita para avaliar a fala, em cinco aspectos: amplitude, correção, fluência, interação e coerência (Conselho da Europa, Tabela 3). E o Companion volume de 2020 tem escalas próprias para reuniões formais, para ligações e chamadas de vídeo e para entrevistas, incluindo a entrevista de emprego (CEFR Companion volume). A seguir, cada nível lido por essas escalas.

A1: frases curtas e prontas

No A1 você se apresenta, apresenta alguém e pergunta ou responde onde mora e quem conhece (escala global). A fala sai em frases muito curtas, isoladas, quase sempre decoradas, com muitas pausas para achar a palavra e consertar a comunicação. A conversa depende totalmente de o outro repetir, reformular e ajudar (Tabela 3).

No trabalho, isso quer dizer um cumprimento, seu nome, seu cargo.

A2: você se faz entender, aos pedaços

No A2 você se comunica em tarefas simples e de rotina e descreve em termos simples a sua formação e o seu entorno (escala global). Você se faz entender em enunciados muito curtos, mesmo com pausas, recomeços e reformulações bem visíveis. Consegue mostrar que está acompanhando, mas raramente entende o bastante para manter a conversa andando sozinho (Tabela 3).

As cenas de trabalho são pequenas, mas reais. Numa reunião formal, você diz o que pensa quando alguém se dirige diretamente a você, desde que possa pedir que repitam os pontos principais. Ao telefone, com repetição e esclarecimentos, você sustenta uma ligação curta e simples com alguém conhecido sobre um assunto previsível, como o horário de chegada ou o lugar do encontro (CEFR Companion volume).

B1: você segue em frente, com esforço visível

No B1 você entende os pontos principais de uma fala clara e padrão sobre assuntos familiares do trabalho, da escola ou do lazer, e justifica brevemente opiniões e planos (escala global). Você continua falando de forma compreensível, mesmo com pausas bem visíveis para planejar e consertar, sobretudo nos trechos mais longos. Começa, mantém e encerra uma conversa simples, cara a cara, sobre temas familiares, e repete parte do que o outro disse para confirmar que entendeu (Tabela 3).

É o nível da reunião que dá meio certo. Você expõe um ponto de vista com clareza, mas tem dificuldade de entrar no debate, e acompanha boa parte do que se diz sobre a sua área só se as pessoas evitarem expressões muito idiomáticas. Ao telefone ou numa chamada de vídeo, você resolve o dia a dia pessoal ou profissional, desde que possa pedir esclarecimento de vez em quando. Numa entrevista, você toma alguma iniciativa, por exemplo para puxar um assunto novo, mas depende muito do entrevistador (CEFR Companion volume).

B2: a reunião deixa de dar medo

No B2 você entende as ideias principais de textos complexos, inclusive discussões técnicas da sua especialidade, e explica um ponto de vista com as vantagens e desvantagens de cada opção (escala global). Você tem um controle gramatical relativamente alto e não comete erros que causem mal-entendido. Fala num ritmo bastante regular, com poucas pausas longas, e consegue tomar a palavra e encerrar a conversa quando precisa, nem sempre com elegância (Tabela 3).

No trabalho, você acompanha uma discussão animada e identifica os argumentos a favor e contra cada posição, usando os termos técnicos certos com outros especialistas. Usa ligações e chamadas de vídeo para vários fins profissionais, desde que possa pedir esclarecimento quando um sotaque ou um termo não for familiar. Numa entrevista, toma a iniciativa e desenvolve as ideias com pouca ajuda (CEFR Companion volume).

Um cuidado. A redação de 2001 do B2 fala em interação com "falantes nativos". A edição de 2020 revê os descritores que partiam dessa ideia, porque o termo se tornou controverso desde a primeira publicação do quadro (CEFR Companion volume). Do outro lado da sua call, muitas vezes, está outro colega que também não é nativo.

C1: fluente, com um ou outro tema difícil

No C1 você se expressa com fluência e espontaneidade, quase sem esforço; só um assunto conceitualmente difícil interrompe o fluxo natural (Tabela 3). Você usa a língua com flexibilidade e eficácia para fins sociais, acadêmicos e profissionais (escala global).

As cenas de trabalho mudam de natureza. Numa reunião, você faz críticas ou discorda com diplomacia, que costuma ser o movimento mais difícil numa segunda língua. Usa as ligações com eficácia para a maioria dos fins profissionais. Numa entrevista, dos dois lados da mesa, você participa plenamente e desenvolve o assunto com fluência sem nenhum apoio, lidando bem com as interrupções (CEFR Companion volume).

C2: dificuldades que ninguém percebe

No C2 você entende praticamente tudo o que ouve ou lê, resume várias fontes numa apresentação coerente e expressa nuances finas mesmo em situações complexas (escala global). O descritor da fala é preciso: você fala longamente, com um fluxo natural e coloquial, contornando qualquer dificuldade com tanta suavidade que o interlocutor mal percebe (Tabela 3).

Repare no que falta nessa descrição: perfeição. Quem é C2 ainda encontra dificuldades. Só lida com elas tão bem que ninguém nota. O que leva ao primeiro mito.

Seu nível não é a gramática que você já estudou. É a reunião que você consegue atravessar.

Três mitos que o próprio quadro corrige

"C2 é falar como nativo"

Muito guia chama o C2 de "quase nativo". O Conselho da Europa diz o contrário, com todas as letras: o C2 não tem relação nenhuma com o desempenho de um falante nativo idealizado, de um "nativo culto" ou de um "quase nativo", e esses conceitos não serviram de referência na construção dos níveis (CEFR Companion volume).

"Um bom nível é não ter sotaque"

A edição de 2020 refez do zero a escala de pronúncia. O motivo: o foco no sotaque e na correção, em vez da inteligibilidade, prejudicou o ensino da pronúncia (CEFR Companion volume). Os novos descritores dizem isso nível por nível. No B1, o sotaque costuma vir das suas outras línguas e a pronúncia é, em geral, compreensível. No B2, o sotaque ainda aparece, mas tem pouco ou nenhum efeito na compreensão. No C1, alguns traços de sotaque podem ser notados sem afetar a compreensão (CEFR Companion volume). A pergunta útil depois de uma call é simples: entenderam o que eu disse de primeira?

"Você tem um nível só"

O quadro descreve atividades separadas (ler, ouvir, falar, interagir, escrever), e o Conselho da Europa mostra um perfil típico de adulto muito mais forte na leitura do que no resto. A conclusão dele: a proficiência de qualquer aprendiz quase sempre vai ser desigual, parcial (CEFR Companion volume).

Isso explica a cena do começo. Anos lendo relatórios e escrevendo e-mails constroem um B2 sólido na leitura, enquanto a fala fica no B1 porque quase nunca foi praticada. Numa call, o nível que conta é o da fala. E a fala sobe do mesmo jeito que foi construída: falando, com frequência, nas situações que você vai encontrar de verdade.

Quanto tempo leva cada nível?

A Cambridge English dá uma regra prática: cerca de 200 horas de aprendizagem guiada para passar de um nível do QECR ao seguinte. Ela lista os fatores que mudam esse número: o seu histórico com a língua, a intensidade do estudo, a idade e quanto você estuda ou se expõe à língua fora da aula (Cambridge English).

A mesma página dá as horas acumuladas desde o zero, que ela apresenta como referência indicativa (Cambridge English):

NívelHoras guiadas aproximadas desde o início
A190 a 100
A2180 a 200
B1350 a 400
B2500 a 600
C1700 a 800
C21.000 a 1.200

Duas leituras ajudam. Primeiro, o estudo e a exposição fora da aula estão entre os fatores que a Cambridge cita, então o que você faz entre uma aula e outra muda o seu número. Segundo, os degraus crescem no topo: nessa tabela, a distância entre C1 e C2 é maior do que entre A1 e A2. Se a sua meta é o salto do B1 para o B2, um guia só sobre essa etapa está na nossa lista.

Como usar os níveis: ler um requisito, definir uma meta

Quando uma vaga, um mestrado ou o RH da sua empresa pede "B2", o quadro oferece uma leitura melhor do que "será que eu dou conta?". Um checklist curto:

  1. Pergunte em qual atividade. B2 na leitura, na escrita ou na conversa? O quadro descreve cada uma separadamente, e o seu perfil provavelmente é desigual.
  2. Dê nome à cena de que você precisa. A reunião semanal, as ligações com clientes, uma entrevista de emprego. Cada uma tem a sua escala oficial, citada acima.
  3. Teste-se contra o descritor, em voz alta. Pegue a linha do B2 em reunião: acompanhar uma discussão animada. Grave-se numa discussão simulada e escute com honestidade. Um guia de autoavaliação montado com esses mesmos descritores sai em breve.
  4. Confira o que o seu certificado mediu. Cada exame avalia de um jeito. A correspondência entre notas de exames como TOEIC ou IELTS e os níveis do QECR merece um artigo próprio, e vamos publicá-lo em vez de espremê-lo aqui.
  5. Escreva o nível com honestidade. No currículo, um nível por atividade ("B2 em leitura, B1 em conversação, rumo ao B2") convence mais do que uma letra só, generosa.

Para gestores e universidades, a lógica é a mesma no sentido inverso: defina o nível-alvo junto com a cena. "B2 em reuniões com times técnicos" diz exatamente ao aluno o que praticar.

Ensaie a cena em voz alta

Os descritores mostram onde você está; a prática é o que faz você subir. Se a sua meta é o B2 em reunião, ensaie o momento em que o B1 trava: entrar no debate. Com o AI Teacher da Alyx para aprender idiomas, o tutor sustenta essa conversa com você e corrige pronúncia, gramática e vocabulário em tempo real, sem interromper a troca. Uma cena para tentar, como engenheiro de projetos numa reunião em inglês:

  • AI Teacher: "We're thinking of pushing the release back two weeks. What's your view?"
  • Você: "I understand the reasons, but I'd rather keep the date and cut the reporting feature for now."
  • AI Teacher: "Wouldn't the client notice the missing feature straight away?"
  • Você: "They might. That's why I'd suggest telling them this week and offering it in the next update."

Faça três vezes, mudando o argumento a cada rodada. Quando você conseguir discordar sem ensaiar as palavras, estará fazendo o que o descritor do B2 em reunião descreve. A Alyx trabalha seis idiomas, do A1 ao C2, entre eles inglês, francês, espanhol e português brasileiro, com mais de 30 programas prontos, incluindo Business English e preparação para TOEIC, TOEFL, IELTS e Cambridge.

Perguntas frequentes

Quais são os seis níveis de inglês do QECR?

O QECR tem seis níveis, do A1 ao C2, agrupados em três faixas: usuário básico (A1, A2), usuário independente (B1, B2) e usuário proficiente (C1, C2). Cada nível é descrito pelo que a pessoa consegue fazer com a língua, por exemplo se apresentar no A1 ou se expressar com fluência e espontaneidade no C1. O Conselho da Europa lançou o quadro em 2001 e atualizou os descritores em 2020.

O que significa nível de inglês B2?

No B2 seus erros já não causam mal-entendido e você fala num ritmo bastante regular, com poucas pausas longas. Numa reunião você acompanha uma discussão animada e usa os termos técnicos da sua área; ao telefone ou numa chamada de vídeo, resolve vários assuntos profissionais, desde que possa pedir esclarecimento quando um sotaque ou um termo não for familiar.

Nível de inglês C1, o que significa? E o C2 é o nível de um nativo?

No C1 você fala com fluência e espontaneidade, quase sem esforço; só um tema conceitualmente difícil quebra o ritmo, e você consegue discordar com diplomacia numa reunião. O C2 é o nível mais alto, mas não é o nível de um nativo: o Conselho da Europa afirma que o C2 não tem relação nenhuma com o desempenho de um falante nativo idealizado.

Ter um bom nível de inglês significa não ter sotaque?

Não. Desde 2020 o QECR avalia a pronúncia pela inteligibilidade, não pelo sotaque. Os descritores contam com um sotaque influenciado pelas suas outras línguas no B1 e no B2, com pouco ou nenhum efeito na compreensão no B2, e dizem que no C1 alguns traços de sotaque podem ser notados sem afetar a compreensão.

Quantas horas leva para subir um nível do QECR?

A Cambridge English fala em cerca de 200 horas de aprendizagem guiada para passar de um nível do QECR ao seguinte, como referência indicativa. Seu histórico com a língua, a intensidade do estudo, a idade e quanto você pratica fora da aula mudam esse número.

Posso ter um nível na fala e outro na leitura?

Sim, e é comum. O QECR descreve atividades separadas, como leitura, fala e interação, e o Conselho da Europa observa que o perfil de quase todo aprendiz é desigual: um adulto costuma ler muito melhor do que fala. Um B2 na leitura pode conviver com um B1 na conversa.

A Alyx no seu contexto

Do artigo à prática, no seu contexto

A mesma IA de conversação, com correção em tempo real, adaptada a cada público.

  • Escolas de idiomas e professores

    A sua escola, na sua própria plataforma

    Um AI Teacher com o seu rosto e a sua voz, os seus programas e o aplicativo com a sua marca.

    Conhecer a Alyx para escolas
  • Empresas

    O idioma de cada profissão, praticado em situações reais

    Um percurso por profissão, muita conversação e um dashboard mensurável para o RH e os gestores.

    Conhecer a Alyx para empresas
  • Universidades

    O idioma da futura profissão, já na universidade

    Um percurso por curso, conversação desde a primeira sessão e relatórios para a direção.

    Conhecer a Alyx para universidades